<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:iweb="http://www.apple.com/iweb" version="2.0">
  <channel>
    <title></title>
    <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Fragmentos.html</link>
    <description>Uma espécie de blogue pessoal sobre música, som, arte, e outras reflexões. Por favor deixe o seu comentário. </description>
    <generator>iWeb 3.0.1</generator>
    <item>
      <title>Quem fica dobrado com os sinos?</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/7/14_Por_quem_os_sinos_dobram.html</link>
      <guid isPermaLink="false">eecea7ed-c8a4-4b75-8cdf-d3a5d84b80bb</guid>
      <pubDate>Wed, 14 Jul 2010 14:52:03 +0100</pubDate>
      <description>O tema do ruído não chega amiúde aos orgãos de comunicação. E quando chega é normalmente através de uma perspectiva desinteressante e mal informada.&lt;br/&gt;Os sinos das igrejas são um problema recorrente (1). Os sinos constituem aliás um tema que ultrapassa (2) a questão ambiental —e talvez por isso o transforme num problema recorrente— e envolve disputas de poder com contornos bem mais profundos. Enquanto o problema do ruído se resumir à questão dos “decibéis” (quando é que raio as pessoas entendem que esta palavra não existe?! Vejam &lt;a href=&quot;http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2009/1/26_Decib%C3%A9is.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2009/2/20_Decib%C3%A9is_2.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;...) os prevaricadores estarão sempre defendidos.&lt;br/&gt;É o caso relatado &lt;a href=&quot;http://www.publico.pt/Local/sinos-da-igreja-do-carmo-levam-vizinhos-ao-desespero_1445676&quot;&gt;neste&lt;/a&gt; artigo do Público que foi retomado numa interesssante crónica chamada “Música Electrónica” do Miguel Esteves Cardoso no mesmo jornal.&lt;br/&gt;Enquanto o cónego Aparício “aguarda uma peritagem” e o presidente da Câmara de Beja “dá conhecimento à Igreja do mal-estar” que os sinos provocam, as vítimas vão dobrando com os nervos esfrangalhados. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;(1) Aqui há tempos escrevi &lt;a href=&quot;http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2008/9/2_Por_quem_os_sinos_dobram.html&quot;&gt;algo&lt;/a&gt; sobre uma variante deste problema, assente quiçá no conceito das “novas tecnologias”: os chamados “sinos electrónicos”.&lt;br/&gt;	(1)	Um estudo clássico sobre os sinos é &lt;a href=&quot;http://www.amazon.fr/Cloches-terre-Alain-Corbin/dp/2080814532&quot;&gt;este&lt;/a&gt; Les Cloches de la Terre de Alain Corbin, traduzido em &lt;a href=&quot;http://www.amazon.com/Village-Bells-Alain-Corbin/dp/0231104502&quot;&gt;inglês&lt;/a&gt; com o título Village Bells.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foto de Rui Simão a quem agradeço.</description>
    </item>
    <item>
      <title>Usos e abusos da música em locais públicos</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/7/4_Usos_e_abusos_da_m%C3%BAsica_em_locais_p%C3%BAblicos.html</link>
      <guid isPermaLink="false">e615d7df-a1c2-4f77-aeb1-8255004d5720</guid>
      <pubDate>Sun, 4 Jul 2010 14:52:46 +0100</pubDate>
      <description>Cheguei há pouco tempo de Koli (Finlândia) onde fui assisitr à conferência anual do World Forum of Acoustic Ecology. Escrevi algo sobre isso &lt;a href=&quot;../Fragments/Entries/2010/6/23_Feeling.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br/&gt;O tema da conferência foi “Ideologies and Ethics in the Uses and Abuses of Sound”. &lt;br/&gt;Nem de propósito, Miguel Esteves Cardoso escreve hoje no Público sobre a instalação de sistemas sonoros nas praias, difundindo música (se calhar, sem sequer pagar os respectivos direitos) em altos berros, em locais cuja paisagem sonora costumava ser feita do “som da ondas ou o alarido das crianças”. &lt;br/&gt;Insurge-se com razão. É a morte da música e um tiro no direito ao sossego.&lt;br/&gt;Miguel Esteves Cardoso sugere ainda algo que deveria, de facto, ser norma: a atribuição da Bandeira Azul passaria  também a contemplar a poluição sonora. Usar sistemas deste tipo em praias que são usofruto de todos é uma atitude abusiva, sem ética, à qual está subjacente uma ideologia totalitária que entende que tudo se pode manipular, atropelar ou controlar, até o nosso direito ao sossego.&lt;br/&gt;Parem de transformar a Música em coliforme fecal!</description>
    </item>
    <item>
      <title>&quot;O Silêncio dos dias&quot;</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/6/23_%22O_Sil%C3%AAncio_dos_dias%22.html</link>
      <guid isPermaLink="false">9e3f0fbe-ab6d-479a-b1c8-0f20b2f0a8af</guid>
      <pubDate>Wed, 23 Jun 2010 00:26:41 +0100</pubDate>
      <description>Uma reportagem de Maria Augusta Casaca e João Félix Pereira publicada na TSF debruça-se sobre o mundo sem som dos deficientes auditivos. A rádio a falar da sua matéria plástica básica: o som. Um projecto da Escola de Santo António de Faro tenta ajudar a ultrapassar a deficência. Comovente.&lt;br/&gt;Pode ser ouvido (e deve ser ouvido!) &lt;a href=&quot;http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917979&amp;audio_id=1431254&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.</description>
    </item>
    <item>
      <title>O exemplo de Alcoutim</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/4/25_O_exemplo_de_Alcoutim.html</link>
      <guid isPermaLink="false">002dc959-87bb-4bdb-91a4-a6b8b2076267</guid>
      <pubDate>Sun, 25 Apr 2010 20:31:54 +0100</pubDate>
      <description>O presidente da Câmara Municipal de Alcoutim é médico e isso pode, em parte, explicar a razão que levou aquela câmara a decidir criar um inovador &lt;a href=&quot;http://www.cm-alcoutim.pt/portal_autarquico/alcoutim/v_pt-PT/menu_turista/saude/combate+a+surdez/&quot;&gt;Programa de Erradicação da Surdez.&lt;/a&gt; A audição é um elemento chave no nosso relacionamento com o mundo que nos rodeia. Muita da nossa “humanidade” virá do facto de termos desenvolvido estratégias  surpreendentemente complexas de sobrevivência, ao longo do nosso processo evolutivo como espécie, assentes no mecanismo da audição. A fala e a música, são traços definidores do nosso processo filogenético, que assentam na evolução do nosso mecanismo auditivo.&lt;br/&gt;Há qualquer coisa de bárbaro em condenarmos hoje pela incúria das instituições sociais, ou deixarmo-nos condenar a nós próprios a um processo, muitas vezes, precoce de ensurdecimento, ou deixarmo-nos vencer por uma noção totalmente descabida de que é “natural” ficar surdo.&lt;br/&gt;Para mim que sou músico este problema é especialmente agudo. &lt;br/&gt;Uma perda temporária de audição, por exemplo, pode ser um bom remédio para percebermos a importância vital deste sentido. Já me aconteceu e, digo-vos sem rodeios, é uma experiência profundamente traumática (ver &lt;a href=&quot;../Fragments/Entries/2005/11/11_Dumb_bells.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;,  &lt;a href=&quot;../Fragments/Entries/2005/11/13_Traumatic_experience.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;../Fragments/Entries/2005/11/13_Entry_1.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;) que não se deseja repetir...&lt;br/&gt;Hoje “os velhotes sorriem em Alcoutim,” e já não têm medo dos sons que reaprenderam a ouvir, segundo uma &lt;a href=&quot;http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1552232&quot;&gt;reportagem&lt;/a&gt; da TSF. “As pessoas, os velhotes nomeadamente, acham que é natural ficar surdo e como tal há um isolamento dentro da própria habitação, as pessoas não vêem televisão, não conversam umas com as outras porque acham que não há nada a fazer,” diz o Presidente da Câmara de Alcoutim.&lt;br/&gt;Terá o doutor Francisco Amaral percebido isto pela sua formação profissional, será mais sensível a este problema por qualquer razão pessoal ou por qualquer traço especial da sua personalidade. &lt;br/&gt;O certo é que a Câmara de Alcoutim e este Programa de Erradicação da Surdez constituem exemplos que não podem deixar de ser destacados.</description>
    </item>
    <item>
      <title>Há som no ar!</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/4/22_H%C3%A1_som_no_ar%21.html</link>
      <guid isPermaLink="false">b711a98b-3c08-4bbb-98ab-3dbfbba74453</guid>
      <pubDate>Thu, 22 Apr 2010 11:18:51 +0100</pubDate>
      <description>Mão amiga chamou-me a atenção para um &lt;a href=&quot;http://tv1.rtp.pt/antena2/?headline=53&amp;visual=14&quot;&gt;site&lt;/a&gt; da Antena 2 chamado Somdescape (uma corruptela da palavra soundscape, como explica o seu autor.) Um título que chama a atenção para a paisagem sonora que, se estivermos atentos, traduz fielmente os valores que estão subjacentes aos organismos que a produzem e a ouvem. &lt;br/&gt;O título revela as ambiguidades da audição. Diz-nos que podemos estar a falar de sons dos escapes, o que é mau; ou do som como forma de escapar à ditadura da paisagem sonora pré-formatada que hoje nos é servida por todo o lado, o que é bom.&lt;br/&gt;O programa foi (está a ir?) para o ar e eu, mea culpa, nem dei por isso.&lt;br/&gt;De qualquer forma, é de saudar que neste país de surdos ainda haja quem teime em ouvir, e quem, ainda por cima, dê à crónica os produtos da sua audição. E quem acolha isso... &lt;br/&gt;A Antena 2, embora se calhar, não se dê disso conta, também faz parte da paisagem sonora e tem enormes responsabilidades nessa matéria. Se tivesse, ela própria, ouvido antes o que se passa à sua volta, tinha percebido que já há muito que se “fonografa” a paisagem sonora portuguesa e o Somdescape seria então, desde há muito, uma regra, e não uma excepção.&lt;br/&gt;Ouvir, como &lt;a href=&quot;http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragments/Entries/2006/7/16_Listen!.html&quot;&gt;escrevi&lt;/a&gt; aqui algures, não vai curar o mundo, mas ajuda. O Pedro Coelho dá aqui, seguramente, a sua contribuição.</description>
    </item>
    <item>
      <title>Miso Music 25 anos</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/4/16_Miso_music_25_anos.html</link>
      <guid isPermaLink="false">5d0ea610-146d-4c4f-8ded-6e11f36a7c0d</guid>
      <pubDate>Fri, 16 Apr 2010 02:40:37 +0100</pubDate>
      <description>A Miso Music comemora este ano o seu 25º aniversário. No âmbito desta comemoração (cf. o programa da comemoração &lt;a href=&quot;http://www.misomusic.com/25anos/Programa.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;) houve hoje um concerto no Instituto Franco-Português a que o Miguel e a Paula Azguime deram o nome de “Cadavre Exquis” Electroacústico.&lt;br/&gt;O Miguel teve a bondade de me convidar para conceber uma peça para este Cadavre Exquis musical, à maneira surrealista, que foi estreado com sucesso. Foi para mim um enorme prazer, confesso-o, colaborar nesta iniciativa. &lt;br/&gt;A minha foi uma das 50 peças apresentadas, fruto do trabalho de outros tantos compositores, distinguidos desta forma pela sua colaboração com a Miso ao longo destes 25 anos.&lt;br/&gt;Ouvindo todos estes trabalhos, observando o rigor e o esforço colocados na produção deste evento, a sua qualidade, a dedicação e o altíssimo grau de profissionalismo de toda a equipa de produção da Miso Music, o espírito empreendedor e o quente acolhimento dispensado a todos, autores e público, olhando para o palmarés invejável desta instituição, tendo, enfim, em conta as condições disfrutadas para a realização das suas actividades, sinto o dever de expressar  publicamente o meu apreço e admiração a todos eles. &lt;br/&gt;Por escrito, para que conste.&lt;br/&gt;Imagino o que seria se o talento, a capacidade empreendedora, a capacidade de projectar e de empolgar (dentro e fora da instituição), a dedicação, o profissionalismo e o rigor que a Miso Music, os seus mentores e a sua equipa, colocam nas suas iniciativas encontrasse, mesmo que só parcialmente, co-organizadores à altura. Que pudessem ajudar a levar aos limites extremos da sua capacidade uma actividade que, sendo vítima de dificuldades por si incontroláveis, mas fazendo o impossível, fica, infelizmente para o País, pelos limites do possível.&lt;br/&gt;Em Portugal, os governantes e as luminárias do costume enchem muitas vezes o discurso com clichés abstractos sobre as linhas definidoras do futuro, que carecem, contudo, aos olhos do cidadão, de contraprova real e palpável que ajude a dar substância ao discurso generalista e tantas vezes, bem lá no fundo, oco. Pois bem, querem prova real de produtividade, de excelência, de rigor e de poder de iniciativa? Olhem então com seriedade para o exemplo da Miso Music. E apliquem-no.</description>
    </item>
    <item>
      <title>Leviandades</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/3/16_Leviandades.html</link>
      <guid isPermaLink="false">f64b597d-433b-466e-82ad-c4b697a96504</guid>
      <pubDate>Tue, 16 Mar 2010 15:07:08 +0000</pubDate>
      <description>Ainda há pouco tempo fiz &lt;a href=&quot;http://faceocultaterra.blogspot.com/2010/03/se-nao-tem-preconceitos-leia-se-tem-nao.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; um elogio a um escrito de Miguel Esteves Cardoso, que me pareceu totalmente justo. Trata-se de um jornalista que gosta de arriscar (reconheço-lhe essa virtude), mas que é embrulhado, ele também, tantas  vezes, nesta vertigem de ter de preencher diariamente o seu pequeno canto de página. Ontem espalhou-se. &lt;br/&gt;E por se tratar de uma injustiça cometida sobre uma figura que conheço bem e que é tratada de forma totalmente lamentavel, não posso deixar de escrever aqui esta nota.&lt;br/&gt;O pretexto da crónica de ontem do Público foi o gosto musical dos candidatos à presidência do PSD. Lá foi de metáfora musical, em metáfora musical até chegar a Gary Burton, dizendo dele que se trata de um talento “mediano que poderia ter sido maior se arriscasse mais.”&lt;br/&gt;Saltou-me a tampa quando li isto. O Gary Burton não merece a colagem ao Aguiar Branco, simplesmente para levar uma duvidosa lógica musical até ao fim, &lt;br/&gt;Gary Burton é um músico que acompanho há uns quarenta anos. Por causa dele acabei a tocar vibrafone também. É um dos músicos mais respeitados do jazz, com uma carreira que se estende há quase 50 anos, pedagogo, improvisador perfeito, um inovador notável da técnica do seu instrumento (é conhecido o &lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Burton_grip&quot;&gt;Burton grip&lt;/a&gt;), uma referência incontornável neste domínio, e um vanguardista, que como ele próprio lembrava, timidamente, numa entrevista que li, antecipou um dos movimentos mais interessantes da música de jazz –o chamado movimento jazz-rock fusion, geralmente personificado por Miles Davies– com os seus famosos quartetos.&lt;br/&gt;Aluno do Berklee College of Music no início dos anos 60, foi aí depois professor, reitor e finalmente Vice-Presidente Executivo até à sua (recente) reforma. Mais informação &lt;a href=&quot;http://www.garyburton.com/display_page.php?id=2&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;A lista de músicos com quem tocou ou toca constitui quase um directório da música e, sobretudo, do jazz moderno: George Shearing, Stan Getz, Carla Bley, Gato Barbieri, Keith Jarrett, Chick Corea, Steve Lacy,  Makoto Ozone, Herbie Hancock, B.B. King, Eberhard Weber, Stephane Grappelli,  e até o famoso compositor argentino Ástor Piazzolla, com quem produziu um dos discos mais absolutamente sublimes da história da música improvisada ocidental.&lt;br/&gt;Pelas suas formações passou um número impressionante de músicos que com ele debutaram (Larry Coryell, Pat Metheny, por exemplo), e se vieram depois também a notabilizar.&lt;br/&gt;Uma figura de referência incontornável da música, como disse. E é-o precisamente porque... está longe de ser mediana e, sobretudo, porque arriscou.&lt;br/&gt;Pena o Miguel Esteves Cardoso mostrar não saber isto e ter feito este comentário tão leviano e deselegante a propósito de um músico notável. Ao contrário dos jornais, da guerra e do amor, na música não vale tudo...</description>
    </item>
    <item>
      <title>Há vida para além do PEC</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/3/8_H%C3%A1_vida_para_al%C3%A9m_do_PEC.html</link>
      <guid isPermaLink="false">605b0035-e95b-4956-b7e9-9fab73569d0b</guid>
      <pubDate>Mon, 8 Mar 2010 14:11:06 +0000</pubDate>
      <description>A música não vai salvar o mundo, mas pode ajudar. O projecto da Orquestra Geração é uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e da Câmara da Amadora, apoiado na Escola de Música do Conservatório Nacional e na Fundação EDP. Já conta, creio, dois anos. A inspiração vem do conhecido Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis venezuelano, fundado por José António Abreu.&lt;br/&gt;É justo dizer que no domínio da aplicação dos princípios da inclusão social e da aprendizagem do trabalho cooperativo através da música, as bandas filarmónicas, em particular --de uma forma voluntarista e totalmente desapoiada-- e as escolas Menuhin vêm de há muito dando um contributo decisivo nesta matéria. Mas, estas Orquestras Geração constituem um caso de sucesso, hoje e aqui, que contém lições que ultrapassam em muito o domínio das artes.&lt;br/&gt;Se o País quisesse mesmo perceber o que tem de fazer para conseguir ir além do sacrossanto PEC --que lá ficou naturalmente aquém do que se esperava e do que seria necesssário-- bastaria atentar nos princípios e nos resultdos destas Orquestras Geração. Está lá tudo para quem quiser entender. Tudo!&lt;br/&gt;Eu aconselharia os governantes (incluíndo a pianista Gabriela Canavilhas), os opinadores, políticos e para-políticos paralíticos deste país a atentarem melhor nestes exemplos que estão mesmo debaixo dos nossos narizes e a inspirarem-se neles para fazer qualquer coisa de verdadeiramente útil pelo país.&lt;br/&gt;Portugal entendido como uma orquestra de gerações para combater a exclusão social, valorizar o contributo de todos e de cada um e responsabilizá-o por isso, ensinar as virtudes do trabalho cooperativo e a necessidade de regras colectivas para atingir um fim maior?&lt;br/&gt;Dá trabalho, exige criatividade e paciência, mas vão lá ouvir estes miúdos que eles ensinam-lhes como é...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;PS: Uma magnífica reportagem sobre este projecto, de autoria de José Carlos Barreto e José Félix Pereira, foi para o ar na TSF. Pode ser ouvida &lt;a href=&quot;http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917979&amp;audio_id=1544997&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e vista &lt;a href=&quot;http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917979&amp;audio_id=1543098&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;. A não perder!&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Televisões portuguesas: o horror à música</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/3/3_Televis%C3%B5es_portuguesas__o_horror_%C3%A0_m%C3%BAsica.html</link>
      <guid isPermaLink="false">892f4ec0-50b4-4ba9-a105-ea5ec2d0c431</guid>
      <pubDate>Wed, 3 Mar 2010 13:04:30 +0000</pubDate>
      <description>Os portugueses serão menos musicais que os outros povos? Gostarão menos de música? Praticarão menos música per capita? Será a sua estrutura neurológica diferente da dos outros povos, no que respeita às zonas dos seus cérebros que reagem ao fenómeno musical? A música fará menos parte do seu dia a dia? Estarão menos interessados do que os outros pela música que se faz fora do seu país? Estarão, perguntaria mesmo, menos interessados na sua própria música e na dos seus músicos do que os outros povos demonstram estar pela sua  própria?&lt;br/&gt;Estas e outra perguntas acodem-me à mente quando, de repente, tomo consciência que não vejo um programa de música nas televisões portuguesas há muito, muito tempo. Não me refiro a essa imbecilidade dos programas dos tops. Nem me refiro aos músicos que vão tocando nos pouquíssimos programas que têm uma banda residente.&lt;br/&gt;Refiro-me aos concertos, aos programas gravados em estúdio, às séries de música, aos especiais de música, em especial os que envolvem música e músicos portugueses. Nem um, em nenhuma das televisões existentes, com especial relevo para a RTP, a tal que é paga, a peso de ouro, por todos os portugueses, a tal cujo orçamento parece não chegar nunca, cujas receitas parecem nunca ser suficientes, e que se vai desdobrando em ámens aos governos e programas para atrasados mentais. &lt;br/&gt;Há uns anos ainda se viam umas séries cuidadosamente seleccionadas sobre música, rock, jazz. clássica (sempre do estrangeiro que cá não há músicos...), programas geralmente de grande qualidade. Já não peço um concerto do Francisco Lopez ou do Pedro Carneiro, nem sequer um daqueles videos do &lt;a href=&quot;http://www.vimeo.com/8818449&quot;&gt;Tiago Pereira&lt;/a&gt;. Por mim bastaria um enlatadozinho, desses vindos dos States ou da BBC, com música mainstream, que fosse, mas música! &lt;br/&gt;Adorava aqueles casamentos musicais improváveis do &lt;a href=&quot;http://www.joolsholland.com/&quot;&gt;Jools Holland&lt;/a&gt;. Que é feito do Jools? Ou o “&lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Sunday_Night&quot;&gt;Night Music with David Sanborn&lt;/a&gt;”. Escutava com prazer os programas do Rui Neves, ou as outras músicas do Zé Duarte... Onde param? Adoraria saber o que escondem os arquivos musicias da RTP, que, suspeito, contêm tanta coisa fantástica... &lt;br/&gt;Que é feito de tudo isso?!&lt;br/&gt;E já nem queria programas de música de iniciativa e produção próprias, com música e músicos portugueses. Bastavam os enlatados...&lt;br/&gt;Mas, nada, nem um! Ziltch! &lt;br/&gt;Nem uma banda filarmónica, um coro, uma orquestra juvenil, um quarteto de cordas, um tocador de flauta de bisel, a banda da GNR, nada! &lt;br/&gt;Não há o perigo do fenómeno musical se banalizar em Portugal. Aqui, a música está na categoria do fenómeno raro, só talvez observável por meio de equipamento especial, como aquelas câmaras de infravermelhos que registam o aparecimento de um animal em vias de extinção, desses raros que vivem nas florestas recônditas e que parecem surgir do nada. &lt;br/&gt;A última coisa que me lembro de ver há já bastante tempo, relacionada com música, foi uma série (excelente, de resto) sobre a história da música portuguesa, de autoria de Jorge Matta, que passava a uma hora daquelas que sugere que a RTP não levou este trabalho muito a sério...&lt;br/&gt;O que é mais trágico, mas ao mesmo tempo cómico, é que vejo com alguma frequência músicos, compositores e musicólogos em programas chamados &amp;quot;culturais&amp;quot; (haverá outros?) a falar pormenorizadamente sobre música e sobre questões da vida musical portuguesa como se fosse uma coisa acessível a toda a gente e que toda a gente partilhe. As televisões passam uma entrevista com um compositor a falar da sua própria música, o que demonstra o interesse editorial neste assunto, mas o responsáveis pela programação parecem incapazes de experimentar incluir, na sua grelha, a própria música de que esse compositor fala. Aquilo que devia ser uma reflexão a posteriori sobre a prática corrente, é transformado, sabe-se lá por que razões obscuras e numa total inversão do cenário, no eixo da programação. &lt;br/&gt;Tolera-se algum parlapié sobre a música, mas dá-la a ouvir parece estar absolutamente fora de questão. &lt;br/&gt;Trata-se, francamente, de um fenómeno aberrante e de uma estranha forma de praticar e fomentar a cultura. Convida-se  uns músicos e uns compositores, arranja-se um apresentador que fala sempre de modo pomposo sobre questões que obviamente não domina, faz-se um espetáculo sobre os músicos e compositores a falar de música, mas não se mostram estes músicos ou compositores a praticá-la. &lt;br/&gt;As televisões encavalitam-se, sempre que podem, no &amp;quot;social&amp;quot; que os músicos e compositores geram, concentram-se no epifenómeno gerado por esses músicos e compositores, exploram alguma sua dimensão mais &amp;quot;circense&amp;quot;, susceptível de ser valorizada pela câmara, mas esquecem-se de mostrar a actividade que está na base de tudo isto: a música. &lt;br/&gt;O horror à música das televisões “generalistas” portuguesas é um fenómeno que só encontra paralelo no clássico fenómeno do horror que a natureza tem ao vazio. A televisão portuguesa tem horror à música.&lt;br/&gt;E, no entanto, por esse mundo fora, as televisões dos outros países passam imensa música, de todas as &amp;quot;convicções&amp;quot;, e fazem mesmo uma coisa que as televisões portuguesas não fazem: debruçam-se, imaginem, sobre a música e os músicos portugueses. Músicos que por cá vão observando os ecrãs vazios da sua arte. &lt;br/&gt;Ele há défices e défices, não é...?&lt;br/&gt;Sobre a rádio falarei noutra oportunidade...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;(a foto foi retirada do site da Biblioteca ETG de Barcelos)</description>
    </item>
    <item>
      <title>Lisboa: ruído a mais, ruído!</title>
      <link>http://www.carlosalbertoaugusto.com/carlosalbertoaugusto.com/Fragmentos/Entries/2010/1/4_Lisboa__ru%C3%ADdo_a_mais,_ru%C3%ADdo%21.html</link>
      <guid isPermaLink="false">13d062c3-aaae-4019-b0ca-76de759e920d</guid>
      <pubDate>Mon, 4 Jan 2010 16:25:33 +0000</pubDate>
      <description>Um artigo recente do Público “Ruído na Baixa pode travar repovoamento” dava conta do atraso na aprovação do plano de pormenor da baixa pombalina pela administração central “por causa das questões relacionadas com o ruído.”&lt;br/&gt;O atraso fica a dever-se ao facto de a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo ter emitido um primeiro parecer sobre o plano da autarquia onde a questão do ruído é objecto de reparos. No quadro actual, a construção de novas habitações e escolas está posta em causa estando pois, assim também, em causa o desejado repovoamento do centro da cidade.&lt;br/&gt;As várias medidas de condicionamento do trânsito (apontado como a fonte principal de ruído da cidade) não parecem suficientes e há zonas da Baixa onde “foram detectados níveis de ruído susceptíveis de causar danos na saúde e fortes perturbações do sono.”&lt;br/&gt;Que Lisboa é uma cidade barulhenta é um facto inequívoco, susceptível de ser comprovado por qualquer um. Mas, que  “repovoamento” implica a alteração da &lt;a href=&quot;http://en.wikipedia.org/wiki/Soundscape&quot;&gt;paisagem sonora&lt;/a&gt; lisboeta parece também um dado inequívoco. &lt;br/&gt;Num tempo em que já se “&lt;a href=&quot;http://www.global.yamaha.com/news/2009/20091021.html&quot;&gt;desenha&lt;/a&gt;” o som dos motores dos automóveis, não me parece suficiente alterar as carreiras de alguns autocarros ou repavimentar algumas ruas. É útil, mas não é de todo suficiente. É o conceito de conforto acústico (e térmico), é a multiplicação de “santuários” de silêncio, o redesenhar dos sinais sonoros, a preservação do património sonoro da cidade e a sua divulgação e valorização, o cumprimento das normas ambientais no que respeita a ruído de vizinhança, é a humanização, enfim, da paisagem sonora lisboeta no seu todo que está em causa. É a entrada deste problema, de facto e a sério, na agenda da autarquia que se exige.&lt;br/&gt;As autoridades municiapis lisboetas não levam a sério o problema do ruído em Lisboa. Ainda não perceberam que este problema não se resolve com medidas avulsas, de circunstância ou de fachada, e que os lisboetas valorizam mesmo um ambiente sonoro saudável. &lt;br/&gt;Já alguém escutou a voz dos lisboetas nesta matéria? Também é verdade que no meio desta barulheira ninguém ia conseguir ouvir a voz de ninguém...</description>
    </item>
  </channel>
</rss>
